29 de dezembro de 2012

Histórias e pessoas - Com podcast




Faz ano que ouvi a história de Jane*.

Sempre ouço histórias e quando são boas, ou agudas, as guardo comigo.

Essa é amarga e aconteceu na Europa. Londres, se não me engano.

A história ficou conhecida quando narrada pela tevê.

Imagino o jornalista: homem sério, sentado em frente às câmeras, comentando sobre a moça encontrada morta há três meses em seu apartamento com a TV ligada, deitada sobre o chão.

As imagens no noticiário, cheias de luzes vermelhas e brancas vindas dos carros de segurança e pessoas caminhando pela calçada demonstravam uma preocupação fingida e desnecessária.

Desnecessária porque Jane não estava mais lá para que soubesse que alguém se importava com ela.

Como é difícil compreender que, durante esses três meses em que ela havia tirado a vida não notaram sua ausência.

Não ligaram. Nenhum vizinho percebeu que sua rotina tinha sido interrompida e que os jornais estavam se acumulando em frente à sua porta.

E os amigos?
Ela tinha amigos?
Onde estavam eles e a família?

Dentro dela, provavelmente, não tinha mais vida.

Nascemos com a responsabilidade de carregar cestas e aliviar fardos. Nascemos para receber e sermos acolhidos pelo amor.

E é verdade que todas aquelas pessoas em frente a sua casa, após ouvirem a notícia, não se importavam com ela. Queriam apenas sua história. O segredo que a tinha levado a solidão e à morte. Nada mais.

A ausência do amor é o abismo que torna histórias mais importantes que pessoas.

PS: O que aprendi com Jane?
Que o amor exige pressa. Amanhã pode ser tarde.


Bjs, Lu!


.......................
*Jane é nome fictício. Não sei o nome verdadeiro da moça.

5 comentários:

Letícia Leal disse...

Linda história Lu, mexeu com meu coração.. Bjs na alma...

CriSSti@ne disse...

Finalmente voltei a comentar! \0/ Lu, quando li e ouvi a história, automaticamente lembrei de um filme que assisti algum tempo. É interessante a parte que colocou que a tragédia só ficou conhecida porque passou na tv e realmente é assim. Você pode ver um mendigo todos os dias, aos nosso olhos é uma pessoa "comum", vamos dizer invisível para nós, mas a partir do momento em que morre de forma trágica, ou ele acha dinheiro é notícia e "sai" do anonimato. É uma triste realidade, pois vivemos em uma sociedade egoísta, individualista e nós mesmos fazemos questão de não enxergar estás pessoas, de excluí-las. São seres humanos que ninguém enxerga. Muitos deles gostariam de deixar de ser invisíveis aos olhos do mundo e trabalhar como protagonistas da vida social cuja presença fosse notada pela importância do ser, mas isso não acontece. Lindo texto. bjs

Luciana Leitão disse...

Letícia!

Sempre bom te ver aqui no blog!
Abraço 'enorme de grande' pra vc!

;)

Luciana Leitão disse...

Cris!

Pois é, pensei muito sobre isso. Também pensei sobre Jane*.

O que leva as pessoas a viverem sós?

Alguns casos são abandonos, mas e aqueles que preferem a distância.
Será que ela, em algum momento, se dispôs a ir em busca de pessoas, ou apenas permitir-se conhecer e ser conhecida?

Amo teus comentários, Chaveirinho!
Amo-te, amiga! :)

CriSSti@ne disse...

Verdade. Depois que postei lembrei desse fato.
Tem gente que é invisível por opção. Adota a invisibilidade como estilo de vida. Alguns dizem que ninguém os vê, mas quando vistos são os primeiros a "correr pra longe."
"O que leva as pessoas a viverem sós?"
N motivos, independência, não sabem conviver... traição, magoá, desconfiança...
Chega né? =P Amo comentar teus textos.. amo vc..